quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Arte Barroca



Georges de la Tour - Maria Madalena 1640, (Vanitas)

Imagens do passado, por que não? O conjunto de obras de arte e outras categorias de imagens mais tradicionais, ou historicamente anteriores ao século XX (porque às vezes nos deparamos com imagens nada tradicionais dos séculos passados) podem ser fundamentais para que possamos compreender nossa forma de olhar as imagens feitas em nosso tempo.

Quando li pela primeira vez o livro de Wolfflin, Conceitos Fundamentais da História da Arte, (COLEÇAO A, São Paulo: Martins Fontes, 2001) eu era mais nova e estava começando a buscar um entedimento diverso da história da arte que aprendemos nos primeiros anos de faculdade. O livro me ganhou! Claro que eu não tinha ainda tanta infomação para questionar tudo que o autor defendia em sua tese sobre as características do linear e do pictórico e tudo pra mim fez muito sentido naquele momento!
Quando me tornei docente de história da arte percebi que devia buscar uma forma mais dinâmica de ensinar meus alunos sobre a arte antiga. Foi aí que pude aproveitar bastante o que havia lido naquele clássico livro de Wolfflin.
Iremos estabelecer comparações estruturais entre algumas pinturas do Barroco e do Clássico renascentista. Comparando composições, abordagens temáticas, técnicas e modos de ver, os alunos assimilam com mais eficiência a informação básica sobre o movimento. É importante esclarecer que a aula não tem como objetivo defender a tese wolffliniana da repetição pendular das características do linear e do pictórico no decorrer da história da arte. Apenas utlizei algo da metodologia de classificação formal, de ambos os movimentos, proposta pelo autor.


Abaixo apresento pinturas que ilustram bem uma série de características como:
1. Contraste profundo entre luz e sombra


Caravaggio - São João Batista (1600)

Neste quadro além do chiaroscuro totalmente espetacular e teatral, marca registrada de Caravaggio, podemos observar seu realismo primoroso e a sensualidade quase sacrílega que o pintor ousava representar seus santos (principalmente as pinturas de São João Batista jovem).

2. Diagonais como direção privilegiada:




Velazquez - Vênus ao espelho (1651)

As diagonais nesta pintura aparecem marcadas pela cortina e pela posição do corpo da Vênus.
Além disso, o quadro também é um exemplo da ousadia do Barroco. Na Espanha, tão católica e tradicional, esta Afrodite de Velazquez é uma possível citação a uma famosa cortesã da época, que recebia seus poderosos amantes totalmente nua, sobre sábanas negras, valorizando assim a alvura de sua pele!


3. Realismo e insignificância ao belo ideal:


Caravaggio - Cabeça de uma velha senhora. Detalhe de Judith e Holofernes


Caravaggio - São Jerônimo (1605-06)

Este quadro foi considerado inapropriado pela Igreja, pois representa o santo de forma muito realista, sem esconder a velhice e a fraqueza do homem, Caravaggio teve que pintar outro quadro mais digno de São Jerônimo.




Essa estranha pintura de Rembrandt é uma entre as muitas que nos mostra como o pintor estava mais interessado em pintar seus próprios temas que os temas da moda. A carcaça é bem dramática, como toda boa pintura Barroca.


Velazquez - El niño de Vallecas (1645)

Velazquez, como Caravaggio, desenvolveu uma obra de extremo realismo. El nino de Vallecas se chamava Francisco Lezcano e era um dos muitos anões que faziam parte da corte española com objetivo de distrair e brincar com os nobres. Este garoto era um dos juguetes do infante Baltazar Carlos, que por sinal sobreviveu ao pequeno príncipe... Velazquez não deixou de registrar estes nada comuns membros da corte espanhola.

4. Representação espacial “lisérgica”


Este auto-retrato de Murillo (1670) fala por si. Até Murillo soube ser misterioso!

Um dos recursos visuais e espacias mais interessantes, para mim, no Barroco é o quadro dentro do quadro. Isso amplia de forma inusitada o campo visual-horizontal, faz com que a profundidade da cena se torne totalmente virtual. É para mim um análogo ao universo windows contemporâneo, múltiplas janelas e múltiplos mundos de informação a partir de um único espaço. Maravilhoso!

Para saber mais faça o download da aula BARROCO I

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